sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vazio.

Somos apenas espaços vazios entre átomos que cada dia tornam-se mais divisíveis

Temos capacidade de definir o que é vazio? O que é ausência de matéria? Se não temos tal capacidade, não estamos ao menos perto de arranhar a resposta para o famoso questionamento ‘’Quem somos nós?’’.

Grande parcela de nós e de tudo que há, são apenas espaços vazios, e quanto mais descobrimos, mais indecifrável e gigantesco se torna o universo, pois cada nova descoberta é a chave de uma porta que quando aberta, revela outras milhares ainda trancadas.

Então por que vivemos em função dessas novas descobertas, enquanto há o mundo todo a explorar, e se já estamos cansados do mundo físico, ainda há a imensidão do nosso ‘’ser’’, da nossa (in) consciência a ser explorada?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Coincidência

Acredito fielmente que tudo possa ser mentira, que toda matéria, possa ser fruto da minha imaginação e até minha própria imaginação pode não existir.

Esse é um pensamento em que se fundamentavam as profundas meditações de Descartes, filósofo do século XVI, que buscava pela certeza de sua existência, e que por diversas jornadas de incertezas, chegou à conclusão de que a única coisa que poderia provar a sua própria existência seria o ato de pensar, daí surge a famosa frase: ‘’Penso, logo existo’’.

Tal crença, de que tudo possa não existir, move meu ceticismo, sou impulsionado muitas vezes a acreditar naquilo que é menos provável, ao contrário da maioria, que ‘’só acredita vendo’’.

Então como poderei viver em um mundo, onde duvido de tudo? Como consigo me sentir confortável no meio de tanta incerteza? Simplesmente acredito naquilo que é mais provável, nos argumentos que pesam mais a favor, em relação aos contra quando se referem à existência de algo, seja ele material, ou abstrato, como um sentimento ou uma lembrança.

Porém, há algum tempo, penso nas coincidências recorrentes em nossa vida e em nossa ‘’pré-vida’’. Costumamos dar muito mais valor às coincidências momentâneas, por exemplo, encontrar um colega em local inesperado; mas pense em quantas dessas tiveram que ter acontecido em todo o universo pra proporcionar a sua existência...

Ontem, minha avó me contou a história de como seus pais se conheceram. Havia algum conflito na Bahia, o qual seu pai participava, ele fugiu da guerra sem nenhum bem material além de sua farda e seu par de botas, chegou à minha atual cidade, vendeu seu uniforme e conseguiu dinheiro suficiente para se manter um tempo em uma pensão, na qual, a dona, tinha uma filha, que se tornou minha bisavó.

E se meu bisavô tivesse optado por não fugir da Bahia? E se ele não tivesse escolhido aquele local pra morar por um tempo? Talvez nem minha avó existisse, muito menos eu. E antes de tudo isso? Pense nas coincidências ocorridas para que esse meu tal bisavô possa ter nascido. Depois de tudo isso, vem as histórias de minha avó e meu avô, e depois dos meus pais, e a probabilidade de um em milhões, do espermatozóide gerador do meu gameta penetrar no óvulo de minha mãe.

Consegue perceber qual a probabilidade da minha existência? Praticamente nula. Se fosse representar em porcentagem, a quantidade de zeros após a vírgula não caberia nessa página, até chegar nos (...) 00000000000000000000001%. Então o que é mais difícil de existir do que nós mesmos? Tudo, desde os primórdios da vida na terra, seguia um caminho para proporcionar a sua vida.

Então, se a probabilidade da minha existência é praticamente nula, e acredito fielmente nela, por que não acreditar em qualquer outra coisa?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Inteligência

Somos animais, e a peculiaridade que nos distingue de outros em grande escala é nossa inteligência, nossa capacidade de pensar, de analisar fatos, de montar quebra-cabeças, resolver nossos problemas, nos comunicar de formas complexas em diversas línguas, de inúmeras formas diferentes, podemos entender o presente (me refiro a presente, como se fosse o intervalo de tempo em que vivemos, nossa atualidade, por exemplo, o mês em que estamos, dia, ou ano, pois o presente é relativo, o que existe é o passado e o futuro) por nos basear em acontecimentos do passado, podemos investir na bolsa de valores, podemos nos organizar em cidades, estados, países, podemos estudar química, física, biologia, filosofia num simples acesso à internet e então entender a natureza e então deduzir de diversas maneiras como foi criado nosso planeta, podemos descobrir se há vida em outros planetas, podemos até supostamente ir até eles, podemos vender nosso tempo, nossa casa, nossas roupas, podemos ser sinceros, podemos ajudar outras pessoas, podemos refletir sobre acontecimentos do cotidiano, podemos viajar para todo o mundo, conhecer novos lugares e indivíduos. Que maravilha o ser humano.

Mas não podemos deixar de trabalhar, não podemos nos abrir com qualquer um, não podemos expor nossa opinião se não temos curso superior, não podemos nos comunicar com seres de outros lugares se não sabemos a língua nativa deles, não podemos escolher as leis de nossa cidade, estado ou país, não podemos estudar química, física, biologia e filosofia se não temos acesso à internet, ou professores para nos ensinar em colégios sustentados pelo governo, não podemos entender nosso universo, pois com milhares anos de estudo cada novo argumento, é derrubado por outro, não podemos ir até os outros planetas se não temos um foguete, não podemos vender nossa casa, nossas roupas, se não as temos, não podemos investir na bolsa de valores sem capital, não podemos ser sinceros se isso faça com que outro da mesma espécie tome isso como vantagem, não podemos refletir sobre os acontecimentos do cotidiano se não temos tempo (pois o vendemos) para tal , não podemos viajar se não temos permissão para entrar em alguns países.

Mas ainda sim, podemos fazer leis com que permitam a devastação de ambientes florestais, podemos matar um indivíduo e tomar posse de seus bens materiais, podemos competir, podemos fazer com que alguém venda seu tempo para pouparmos o nosso, podemos excluir os desfavorecidos economicamente, podemos ofender, podemos bater em outras pessoas se, elas não tem a mesma opinião sexual que a nossa, podemos fazer guerras se não acreditamos no mesmo deus, podemos nos preocupar com nós mesmos e em que carro novo comprar. Quanta coisa podemos fazer, não?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre a perfeição

Estamos habituados a interpretar o conceito de ‘’perfeição’’ como algo benéfico, do tipo, felicidade absoluta, iluminação, verdadeiro entendimento das coisas como são, e daí por diante.

Se separamos e categorizarmos todos os valores como benéficos e maléficos, podemos observar que estes coexistem, devido a um correspondente inversamente proporcional que cada um dos valores apresenta. A riqueza, por exemplo, abundância de capital, só existe, pois há miséria; se não houvesse algum desses valores, o outro automaticamente não existiria, concorda? E se reuníssemos todos os bons valores, que com eles pudéssemos viver em perfeita harmonia, todos eles, teriam um correspondente negativo ao qual se contrapõe.

O que seria a perfeição? (PAUSA PARA A REFLEXÃO)

Penso que seja um equilíbrio absoluto de tudo. Baseando-se nos argumentos do parágrafo anterior, tudo o que há no mundo contrapõe-se, então tudo está em equilíbrio, logo vivemos num mundo perfeito. Vivemos em um mundo perfeito?

Há quem diga que Deus é bom, e na maioria das vezes se perguntarmos a razão pela qual Deus é bom, a resposta é: ‘’Porque Ele é perfeito!’’

Alguns não crêem em um ser supremo, e os principais argumentos para a possível inexistência de tal, giram em torno de: ‘’Se Deus existisse, ele não faria com que houvesse tanta violência, miséria causada pela desigualdade (e muito mais)’’

Mas se Deus existe, ele não é cruel, simplesmente deixa que ocorra uma catástrofe natural, por exemplo, para que alguns morram, e que nós vivos, posteriormente possamos dar risada deles, porque, ora, estamos vivos! Então deus é mau? Não, pois seu nível de crueldade se contrapõe com o de bondade, pois ele é perfeito, está perfeitamente equilibrado. Se seguirmos essa mesma linha de raciocínio podemos fazer outro ótimo questionamento. Deus existe? Não, pois seu grau de existência se contrapõe ao de inexistência, ou seja, Deus pode ser o que quisermos que ele seja, pois todas suas características são relativas, ele só existirá se escolhermos isso, e então podemos dar a ele qualquer forma e ideologia; ou então podemos escolher um Deus pré-definido, que a religião nos fornece. É... Quando lidamos com seres perfeitos, encontramos esse pequeno probleminha, mas penso que é mais provável que não sabemos ao certo o significado de ‘’perfeição’’, mas nada nos impede de criarmos um significado particular para podermos explicar nossas crenças, mas lembre-se, foi você que o criou.

Afinal, se vivemos em um mundo perfeito, por que almejamos cada vez aproximarmo-nos da perfeição, sendo que ela já está aí? Penso que, uma absurda força idealizadora (mídia), nos faz crer em significados definidos de ‘’perfeição’’ que estão diretamente relacionados ao consumo excessivo e desnecessário, que, nos fazem contribuir para o fortalecimento da ‘’elite’’, a qual provavelmente não sabe o significado do termo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Lado B dos fora-da-lei.

Numa sociedade de cordeiros, um lobo foi condenado à prisão, seu crime: tráfico de entorpecentes, era o mais grave de todos os crimes, pois milhares de cordeiros, pelo lobo, eram induzidos ao vício. O lobo, argumentando em sua defesa, disse que os cordeiros tinham parcela de culpa no crime, pois se não houvesse a procura do produto por eles, o papel do traficante não existiria.

Essa é a narrativa que ocorre em ‘’A fábula do Lobo Traficante’’ de Fernando Portela, que metaforicamente faz uma analogia à nossa sociedade, a qual julga negativa e cruelmente os indivíduos que cometem o ato do tráfico de drogas sem remeter-se a uma análise prévia do ponto de vista do traficante.

Sabemos que atualmente é exorbitante o nível de oferta e procura no mercado de entorpecentes, e que o tráfico desse tipo de substância está nesse patamar devido a dois grupos que coexistem em pólos distintos: o traficante e o consumidor. Existem diversos motivos para traficantes e consumidores submeterem-se a tal posição, o traficante, na maioria das vezes por extrema necessidade, sendo essa uma das formas através da qual ele consiga dinheiro mais fácil e rapidamente, visando melhoria de vida. Há uma grande divergência entre os consumidores de drogas ilícitas: os que buscam a fuga da realidade extremamente opressora em que vivem, a qual é semelhante a dos traficantes; por outro lado há o grupo de indivíduos que possuem condições suscetíveis à sua sobrevivência, e consomem as drogas, por entretenimento.

Ambos os grupos têm parcela de culpa no tráfico de entorpecentes, mas o que pertence à mesma classe social que os traficantes, entende suas necessidades, enquanto o outro por viver em uma atmosfera econômica distinta, não tem tal capacidade de compreensão, e categoriza o traficante como ‘’um fora-da-lei’’. Lobos traficantes e cordeiros têm a mesma parcela de culpa nessa situação, mas somente os cordeiros da elite não estão cientes dessa situação.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Seriam os Animais ‘’Pequenos Humanos’’, ou os Humanos ‘’Pequenos Animais’’?

O título o qual escolhi, contém comparações sarcásticas entre animais e humanos, pois sabemos que seres que estão habituados a responder por ‘‘animais’’ como por exemplo cachorro, vaca, gato; etc. são ‘’tão animais’’ quanto nós. Porém quando a palavra animal for citada, se referirá aos animais menos evoluídos racionalmente em relação aos Homo Sapiens.

Mas o que nos difere dos animais? Por que confiamos fielmente, que somos melhores que outros seres vivos, a ponto de matá-los e comermos sua carne? Ou maltratá-los a fim de obtermos uma roupa (não entendo a razão) bonita?

Deus dizia que não deveríamos tratar o próximo com indiferença, pois todos somos irmãos, o mundo deveria viver em harmonia, numa verdadeira ‘’troca de favores’’, e que o respeito teria que ser primordial. É abrangente o significado da palavra respeito, entendo-o desde ‘’submeter-se a’’ até, ouvir, e argumentar com palavras agradáveis. Mas o respeito a se debater, é aquele no que diz respeito a tratar outro(s) indivíduo(s) da mesma maneira que queremos ser tratados. Aprendi com a vida que ninguém é melhor que ninguém, todos têm uma peculiaridade da qual deveria se orgulhar, por mais que tal peculiaridade seja oculta. Denomino falta de respeito quando um indivíduo crê que é melhor que outro devido a essa tal peculiaridade, oculta por parte do oprimido. Por mais que eu não acredite em um determinado Deus onisciente e potente, dos quais baseam-se as religiões, creio que todos nós, humanos, temos capacidade de exercer o respeito para/com o próximo.

Responda as seguintes perguntas para si. '‘Você mataria alguém pra satisfazer sua fome, se essa pessoa convivesse com você, e te desse carinho?’'

'‘Você mataria alguém pra satisfazer sua fome, se essa pessoa convivesse com você?’'

'‘Você mataria alguém pra satisfazer sua fome, se essa pessoa não convivesse com você?’'

Até tal ponto seria plausível ouvir a resposta ‘’sim’’. Mas então faço-lhe a pergunta : '‘Você mataria alguém pra satisfazer sua fome, por mais que essa pessoa não convivesse com você, se tivesse outros meios de obter sobrevivência, tais como frutas, grãos, verduras ou legumes?’'. Não me cabe no patamar ‘’não-canibalismo’’ uma resposta positiva em tal ocasião. Então agora transbordá-lo-ei com mais algumas perguntas.

'‘Se você respeita uma pessoa graduada em algum curso, você desrespeita outra, sem escolaridade?’'

'‘Se você respeita uma pessoa sem escolaridade, você desrespeita uma pessoa com alguma deficiência auditiva/visual?’'

'‘Se você respeita uma pessoa com deficiência auditiva/visual, você desrespeita uma outra com paralisia total dos membros?’'

'‘Se você respeita uma pessoa com paralisia total dos membros, você desrespeita uma pessoa em coma?’'.

Se você respeita todo esse ‘’tipo de gente’’, por que é que um animal com todas suas funções funcionando em perfeita condição, é obrigado a passar por diversos tipos de crueldade, e até a morte? Se ele é apenas um ser menos desenvolvido que nós, humanos em determinados aspectos, mas é ''expert'' em outras atividades, das quais necessitamos de inúmeras tecnologias para realizá-las? Por exemplo, voar.

Pensemos em um pássaro, desses dos quais compramos para cuidar em casa. Temos que cortar suas asas, para ele não fugir, pelo mesmo motivo o enjaulamos, colocamos músicas repetindo ao longo dos dias para ele aprender a cantar e satisfazer nosso desejo de vê-lo fazer o que queremos, e então mostramos para nossos amigos e familiares.

Tratamos com desprezo tais vidas, que em primórdio não diferem das nossas. Fazemos delas, comida de nosso estômago que ronca de fome de crueldade. Enquanto, também, estão cortando nossas asas, enjaulando-nos, fazendo-nos decorar coisas sem fundamento a fim de impressionar outros, enfim, tratando-nos como animais. Então faço-lhe minha última pergunta: '‘Se somos pássaros dentro de uma gaiola, provavelmente quereríamos voar, então por que cortamos as asas de outros que também querem exercer sua peculiaridade e mais talentosa função? Por que não temos respeito? Ou por que ainda não paramos para pensar?’'.



Segue um vídeo da ONG SOS Fauna, que retrata muito bem parte do assunto que o texto se trata.

http://www.youtube.com/watch?v=LktNHt4u27w


Apresentação do Blog

Primeiramente vamos entender o que é ''Inversamente Simétrico''. Pense em algo simétrico, o divida em duas partes, escolha uma das partes e a imagine completamente inversa em relação ao seu formato inicial, mas não faça qualquer alteração com a outra metade. A metade que permaneceu intacta, represeta os valores normalmente aceitos pela sociedade, e que sempre estão imóveis, como a figura, objeto, ou indivíduo que você imaginou; a parte que invertemos, representa opiniões paralelas aos valores tradicionais, contrapondo-os.

Não tenho a pretensão de contrariar nenhuma ideologia religiosa, política (ou alguma outra) de qualquer leitor. A intensão é expor minhas opiniões sobre determinados assuntos que são de meu interesse em forma de textos sem formatos específicos, que provocam a reflexão e levam ao debate. Quero receber críticas que contrariem ou não, meus argumentos, afinal, estarei progredindo muito mais se houver alteração em minhas idéias do que fixamento das mesmas, então, comentem.