sexta-feira, 6 de maio de 2011

Coincidência

Acredito fielmente que tudo possa ser mentira, que toda matéria, possa ser fruto da minha imaginação e até minha própria imaginação pode não existir.

Esse é um pensamento em que se fundamentavam as profundas meditações de Descartes, filósofo do século XVI, que buscava pela certeza de sua existência, e que por diversas jornadas de incertezas, chegou à conclusão de que a única coisa que poderia provar a sua própria existência seria o ato de pensar, daí surge a famosa frase: ‘’Penso, logo existo’’.

Tal crença, de que tudo possa não existir, move meu ceticismo, sou impulsionado muitas vezes a acreditar naquilo que é menos provável, ao contrário da maioria, que ‘’só acredita vendo’’.

Então como poderei viver em um mundo, onde duvido de tudo? Como consigo me sentir confortável no meio de tanta incerteza? Simplesmente acredito naquilo que é mais provável, nos argumentos que pesam mais a favor, em relação aos contra quando se referem à existência de algo, seja ele material, ou abstrato, como um sentimento ou uma lembrança.

Porém, há algum tempo, penso nas coincidências recorrentes em nossa vida e em nossa ‘’pré-vida’’. Costumamos dar muito mais valor às coincidências momentâneas, por exemplo, encontrar um colega em local inesperado; mas pense em quantas dessas tiveram que ter acontecido em todo o universo pra proporcionar a sua existência...

Ontem, minha avó me contou a história de como seus pais se conheceram. Havia algum conflito na Bahia, o qual seu pai participava, ele fugiu da guerra sem nenhum bem material além de sua farda e seu par de botas, chegou à minha atual cidade, vendeu seu uniforme e conseguiu dinheiro suficiente para se manter um tempo em uma pensão, na qual, a dona, tinha uma filha, que se tornou minha bisavó.

E se meu bisavô tivesse optado por não fugir da Bahia? E se ele não tivesse escolhido aquele local pra morar por um tempo? Talvez nem minha avó existisse, muito menos eu. E antes de tudo isso? Pense nas coincidências ocorridas para que esse meu tal bisavô possa ter nascido. Depois de tudo isso, vem as histórias de minha avó e meu avô, e depois dos meus pais, e a probabilidade de um em milhões, do espermatozóide gerador do meu gameta penetrar no óvulo de minha mãe.

Consegue perceber qual a probabilidade da minha existência? Praticamente nula. Se fosse representar em porcentagem, a quantidade de zeros após a vírgula não caberia nessa página, até chegar nos (...) 00000000000000000000001%. Então o que é mais difícil de existir do que nós mesmos? Tudo, desde os primórdios da vida na terra, seguia um caminho para proporcionar a sua vida.

Então, se a probabilidade da minha existência é praticamente nula, e acredito fielmente nela, por que não acreditar em qualquer outra coisa?

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Inteligência

Somos animais, e a peculiaridade que nos distingue de outros em grande escala é nossa inteligência, nossa capacidade de pensar, de analisar fatos, de montar quebra-cabeças, resolver nossos problemas, nos comunicar de formas complexas em diversas línguas, de inúmeras formas diferentes, podemos entender o presente (me refiro a presente, como se fosse o intervalo de tempo em que vivemos, nossa atualidade, por exemplo, o mês em que estamos, dia, ou ano, pois o presente é relativo, o que existe é o passado e o futuro) por nos basear em acontecimentos do passado, podemos investir na bolsa de valores, podemos nos organizar em cidades, estados, países, podemos estudar química, física, biologia, filosofia num simples acesso à internet e então entender a natureza e então deduzir de diversas maneiras como foi criado nosso planeta, podemos descobrir se há vida em outros planetas, podemos até supostamente ir até eles, podemos vender nosso tempo, nossa casa, nossas roupas, podemos ser sinceros, podemos ajudar outras pessoas, podemos refletir sobre acontecimentos do cotidiano, podemos viajar para todo o mundo, conhecer novos lugares e indivíduos. Que maravilha o ser humano.

Mas não podemos deixar de trabalhar, não podemos nos abrir com qualquer um, não podemos expor nossa opinião se não temos curso superior, não podemos nos comunicar com seres de outros lugares se não sabemos a língua nativa deles, não podemos escolher as leis de nossa cidade, estado ou país, não podemos estudar química, física, biologia e filosofia se não temos acesso à internet, ou professores para nos ensinar em colégios sustentados pelo governo, não podemos entender nosso universo, pois com milhares anos de estudo cada novo argumento, é derrubado por outro, não podemos ir até os outros planetas se não temos um foguete, não podemos vender nossa casa, nossas roupas, se não as temos, não podemos investir na bolsa de valores sem capital, não podemos ser sinceros se isso faça com que outro da mesma espécie tome isso como vantagem, não podemos refletir sobre os acontecimentos do cotidiano se não temos tempo (pois o vendemos) para tal , não podemos viajar se não temos permissão para entrar em alguns países.

Mas ainda sim, podemos fazer leis com que permitam a devastação de ambientes florestais, podemos matar um indivíduo e tomar posse de seus bens materiais, podemos competir, podemos fazer com que alguém venda seu tempo para pouparmos o nosso, podemos excluir os desfavorecidos economicamente, podemos ofender, podemos bater em outras pessoas se, elas não tem a mesma opinião sexual que a nossa, podemos fazer guerras se não acreditamos no mesmo deus, podemos nos preocupar com nós mesmos e em que carro novo comprar. Quanta coisa podemos fazer, não?