Acredito fielmente que tudo possa ser mentira, que toda matéria, possa ser fruto da minha imaginação e até minha própria imaginação pode não existir.
Esse é um pensamento em que se fundamentavam as profundas meditações de Descartes, filósofo do século XVI, que buscava pela certeza de sua existência, e que por diversas jornadas de incertezas, chegou à conclusão de que a única coisa que poderia provar a sua própria existência seria o ato de pensar, daí surge a famosa frase: ‘’Penso, logo existo’’.
Tal crença, de que tudo possa não existir, move meu ceticismo, sou impulsionado muitas vezes a acreditar naquilo que é menos provável, ao contrário da maioria, que ‘’só acredita vendo’’.
Então como poderei viver em um mundo, onde duvido de tudo? Como consigo me sentir confortável no meio de tanta incerteza? Simplesmente acredito naquilo que é mais provável, nos argumentos que pesam mais a favor, em relação aos contra quando se referem à existência de algo, seja ele material, ou abstrato, como um sentimento ou uma lembrança.
Porém, há algum tempo, penso nas coincidências recorrentes em nossa vida e em nossa ‘’pré-vida’’. Costumamos dar muito mais valor às coincidências momentâneas, por exemplo, encontrar um colega em local inesperado; mas pense em quantas dessas tiveram que ter acontecido em todo o universo pra proporcionar a sua existência...
Ontem, minha avó me contou a história de como seus pais se conheceram. Havia algum conflito na Bahia, o qual seu pai participava, ele fugiu da guerra sem nenhum bem material além de sua farda e seu par de botas, chegou à minha atual cidade, vendeu seu uniforme e conseguiu dinheiro suficiente para se manter um tempo em uma pensão, na qual, a dona, tinha uma filha, que se tornou minha bisavó.
E se meu bisavô tivesse optado por não fugir da Bahia? E se ele não tivesse escolhido aquele local pra morar por um tempo? Talvez nem minha avó existisse, muito menos eu. E antes de tudo isso? Pense nas coincidências ocorridas para que esse meu tal bisavô possa ter nascido. Depois de tudo isso, vem as histórias de minha avó e meu avô, e depois dos meus pais, e a probabilidade de um em milhões, do espermatozóide gerador do meu gameta penetrar no óvulo de minha mãe.
Consegue perceber qual a probabilidade da minha existência? Praticamente nula. Se fosse representar em porcentagem, a quantidade de zeros após a vírgula não caberia nessa página, até chegar nos (...) 00000000000000000000001%. Então o que é mais difícil de existir do que nós mesmos? Tudo, desde os primórdios da vida na terra, seguia um caminho para proporcionar a sua vida.
Então, se a probabilidade da minha existência é praticamente nula, e acredito fielmente nela, por que não acreditar em qualquer outra coisa?
Senhor Jutkoski, o senhore precisa ler a profecia. Você fez uma enorme referência à um capítulo do livro. Olha só, outra coincidência? ...heehe
ResponderExcluirBom, sim, somos fruto não só de pequenas coisas, mas tudo, desde o big bang gerou um ambiente e uma história que nós pudéssemos existir...
Será pra sempre longe
Será pra sempre perto
Será sempre segredo
Aquilo a ser descoberto
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Eu viajei muito com essa parte: 'Costumamos dar muito mais valor às coincidências momentâneas, por exemplo, encontrar um colega em local inesperado; mas pense em quantas dessas tiveram que ter acontecido em todo o universo pra proporcionar a sua existência...' Porque é muito verdade! Gosto de quem escreve porque ai a pessoa sistematiza o pensamento organizado-o em forma de texto, e muitas vezes expondo nada mais nada menos que a verdade o que nos leva a reflexão - tudo que nos leva a reflexão pode ser considerado algo bom, já que nosso papel na evolução mental e espiritual é também refletir e a partir dai crescer como pessoa.
ResponderExcluirGosto de textos que acrescentem algo, e este nos mostra como temos que dar valor a essa nossa improvável porem concreta existência.
Mais uma vez parabéns!